ao_vivo aovivo@estadao.com.br ao_vivo, por Milena e Lilian

EM BREVE, NOVIDADES...

 


 

Escrito por ao_vivo às 11h22
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E que venha 2008

2007 foi o ano que a música, de uma forma geral, se libertou das “amarras” das gravadoras.

Com medo de ser esquecidos ou mesmo de não ganharem mais tanto dinheiro (até porque para pessoas mais reclusas, os shows podem ser visto em casa), resolveram se render as facilidades d\ Internet. O mais incrível deve ter sido mesmo o Radiohead (como sempre) que pediu para que seus fãs escolhessem o valor a ser pago no cd que eles iriam receber somente em fevereiro de 2008(!), e que já se tornou o cd mais vendido na Internet; ou mesmo Avril Lavigne que virou manga  no mundo asiático para não perder seus fãs por lá.

O que se sabe realmente é que, em qualquer site ou blog que você entrar hoje há um link direto para o Myspace ou mesmo um recurso para baixar as músicas em MP3.

Mas, não podemos reclamar que a qualidade das músicas está melhorando muito. Mesmo o Lobão (que eu particularmente adoro) se rendeu as gravadoras para tentar se levantar...quem pode ver o DVD acústico MTV se surpreende pela qualidade de som que nós é mostrado e, mesmo que o Ao vivo dele (aquele que ele vendeu em bancas de jornais) seja bom o acústico é uma obra prima. (Tudo bem que poderia ser mais barato, já que o Lobão se rendeu mas não perdeu sua filosofia).

Mas, o que devemos prestar realmente atenção são nas novidades que a MPB e o Pop nos trará: eu achei péssimo como a Céu foi lançada: ninguém sabe que é mas tenha certeza que 2008 será um ano em que os ouvidos estarão mais apurados e todos se orgulharão de tê-la como uma cantora nossa, assim como a Mariana Aydar que cantava em barzinhos e já conseguiu lançar seu cd na Europa (ainda bem que Marisa Monte, Maria Rita, Ana Carolina não estão sozinhas nas vozes mais bonitas do mundo). Prestem também atenção em Tereza Cristina, sim, aquela que canta samba mas só aparece na TV Cultura, a voz dela é uma das mais suaves e delicadas que temos hoje.

E também escutem Los Porongas, uma banda do Acre...quem sabe eles possam suprir a necessidade de Los Hermanos que, dizem as boas línguas, volta no começo de 2009 (que os anjos digam Amém). Skank provavelmente lança o novo CD (que se seguir o Carrossel será um dos melhores), assim como o CD da Nação Zumbi é maravilhoso, como o do Cachorro Grande é maravilhoso...

Sim, se procurarmos bem teremos lançamentos espetaculares que irão curar nossos ouvidos de tantas musiquinhas que somos obrigados a escutar por ai!

 

MIlena Muricy


 

Escrito por ao_vivo às 11h20
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Vanessa da Mata

Por Denise Ushisima

 

 

 

Confira a entrevista exclusiva que o Transanet fez com a cantora Vanessa da Mata.

 


Transanet: Fale um pouco sobre o CD Sim.
Vanessa da Mata: O CD é bem diversificado, tem ritmos de todos os lugares, como o bolero, o dancehall e o carimbó, que é um tipo de música que as pessoas fazem no Norte do Brasil, onde se ouviam muitas rádios da Jamaica e do Caribe. No norte, eles desenvolveram uns ritmos bem diferentes do restante do Brasil e foi isso o que quis fazer nesse disco. A gente já estava com essa proposta de ir para a Jamaica gravar com o Sly & Robbie, depois juntamos outras pessoas de lá, mas a idéia era de também fazer ritmos que eu já tinha ouvido na infância, como o carimbó e o sirimbó, brincar um pouco com isso e com as guitarradas do Norte e foi isso o que a gente fez, por exemplo, na música Pirraça. A gente brincou também com outros ritmos no disco todo, como na música Baú, que é um afrobeat feito por músicos brasileiros que muita gente acha que são, na verdade, jamaicanos. Foi muito divertido fazer esse disco. Trabalhei com dois produtores, que são o Mario Caldato e o Kassin, e no final rolou participações incríveis como a do João Donato, Wilson das Neves, Davi Moraes, Alberto Continentino no baixo, que é também incrível, o Sly & Robbie, o Sticky e o Ben Harper, que foi a última participação especialíssima e faz Boa Sorte / Good Luck comigo.

Transanet: Como você chegou até o Ben Harper? E como foi trabalhar novamente com Sly & Robbie?
Vanessa da Mata: Mario Caldato é produtor do Jack Johnson e produziu também os Beastie Boys. Ele é um brasileirinho radicado nos Estados Unidos, mora lá há muitos anos, e eu já tinha ouvido discos do Jack Johnson, gostei da sonoridade que eles tiraram, que o Mario tirou dos intrumentos todos, e queria trazer isso para o meu disco. Acabou que não ficou tão acústico assim, mas trouxe essa beleza dos instrumentos, dos sons que o Mario sabe fazer. Por causa dele, tive essa oportunidade de gravar com o Sly & Robbie, que pra quem não sabe é a cozinha mais cobiçada do mundo hoje em dia, e foi um prazer ter os caras. Já o Ben Harper, o Mário apresentou o som e ele curtiu muito. Ele acabou participando e tocando, a guitarra solo que tem no meio é dele.

Transanet: Você disse que tocar violão em Minha Herança: Uma Flor foi um ato de coragem. Por quê?
Vanessa da Mata: Porque eu não toco. Na verdade, eu toco muito pouco instrumento, eu componho sem tocar e, dessa vez tenho três músicas que fiz no violão. Foi a primeira vez que fiz músicas no violão, geralmente eu faço improvisando, inventando uma melodia na hora e, às vezes, a letra junto, mas dessa vez, toquei porque fui mostrar para o Kassin a música como eu tinha feito e ele e o Mario falaram “Ah não, você vai ter que gravar isso porque está muito bom”. Eles queriam uma música tocada de um jeito simples e essa música tinha uma coisa meio caseira, tinha uma respiração própria, uma coisa muito simples. Se a gente chamasse um outro guitarrista ou um outro violonista seria muito mais sofisticado, a música ia perder um pouco do caseiro dela, ia ficar uma coisa mais estudada, sofisticada, e acabei concordando. Foi um ato de coragem para mim porque sou uma pessoa muito exigente e convivo com músicos muito competentes, então quando vou tocar não me sinto uma pessoa boa no instrumento, eu não estudei nada, foi uma loucura. Mas no fim foi bom.

Transanet: Você se sente pressionada em repetir o sucesso de Ai Ai Ai com seu novo trabalho?
Vanessa da Mata: Eu não fui pressionada. É lógico que Ai Ai Ai me trouxe possibilidades incríveis de trabalho. As pessoas têm uma necessidade de que haja sempre um sucesso e ser sempre bem sucedido é uma cobrança. É até engraçado, vejo amigos meus que tocam em bares até hoje, alguns estão muito felizes e os pais ficam cobrando e dizendo “Mas você vai ficar tocando em barzinho a vida inteira?”. Ele não quer ficar a vida inteira viajando, aquilo está ótimo pra ele. Quanto mais você tem, mais as pessoas cobram, mais querem te ver ali, e isso se reflete em tudo, na vida de todo mundo. Por exemplo, quando lancei meu primeiro disco, lembro que existiam pessoas que diziam “Ela não tem nenhum sucesso, ela não vai tocar nessa casa porque não vai trazer público” e hoje essas pessoas ficam lambendo meus pés de uma maneira muito chata. Você percebe que tem muita gente que não tem personalidade, não percebe o seu potencial e quando as rádios apostam ou algumas pessoas, que têm uma influência verbal grande, começam a falar, essas pessoas começam a prestar atenção naquelas figuras. São coisas que não dependem de mim, não aceito essa pressão, então eu renego e faço minhas músicas como eu sempre fiz.

Transanet: Seu álbum é o primeiro a ser lançado no formato “CD Zero”. O que você acha disso?
Vanessa da Mata: Tive uma reunião com o Claudio Romano e o Alexandre Schiavo, que são os caras que estavam realmente responsáveis por isso, e achei que era necessário fazer alguma coisa, pois existe muita gente que está afim de ter o CD original e não tem como comprar, e essa é uma possibilidade de levar uma parte do original com qualidade para as pessoas que não conseguiam ter o CD inteiro. Eu participei, escolhi o repertório, tentando dar uma unidade para o CD menor, tentando trazer um pouco do CD grande para as pessoas. Tem esse CD Zero com 5 canções, tem o de 13 canções e tem um outro que sai agora em julho com um DVD, documentando a feitura do CD, todo o processo para as pessoas entenderem. Tem Sly & Robbie, o Ben Harper, quase todo mundo que participou, porque todo mundo seria praticamente impossível num DVD de 38 minutos. Documenta bem o que é dentro do estúdio, é bom para galera entender porque algumas pessoas têm uma preguiça louca de fazer um CD. Mas depois que você está lá dentro, que tudo está correndo bem, é uma delícia, então dá para participar desse CD vendo o DVD.

Fotos: Denise Ushisim


 

Escrito por ao_vivo às 09h12
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Radiohead

Novela perto do fim A novela do novo álbum do Radiohead parece estar finalmente chegando aos últimos capítulos. De acordo com o guitarrista Ed O’Brien, a banda está em fase final da gravação do sucessor de “Hail to the thief”, de 2003. Ele postou uma mensagem no blog oficial do grupo. Por sinal, a única palavra que os integrantes disseram sobre o novo disco, mesmo estando no estúdio há mais de um ano. “Uma palavra do estúdio”, diz a mensagem do guitarrista. “Sim, eu sei que já faz um tempo... mas estivemos trabalhando neste álbum durante esse tempo... Mas estamos quase lá”, avisa Ed. Sem mais informações sobre a data de lançamento ou título do álbum, o site oficial do Radiohead tem fotos e vídeo dos integrantes trabalhando no estúdio. O novo álbum será o sétimo álbum da banda e o primeiro depois do final do contrato com a EMI. Recentemente, rumores davam conta que o grupo estaria negociando com o selo Hear Music, da rede de cafés Starbucks, o mesmo que lançou o novo álbum de Paul McCartney. Os integrantes do Radiohead, no entanto, negam o acerto. Desde o lançamento de “Hail to the thief”, último álbum de estúdio do grupo, os fãs tiveram que se contentar com a compilação "Com lag (2Plus2IsFive)", em 2004, ou com o primeiro álbum solo de Thom Yorke, o "The Eraser", lançado no ano passado
 

Escrito por ao_vivo às 10h35
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Novo....

 Autoramas sempre apostou num rock “old school”. E essa também é a principal influência desse novo álbum. Mas agora o grupo parece ter encontrado uma veia mais atual, talvez ajudado pela boa produção de Kassim e Berna Ceppas. As letras do vocalista Gabriel Thomaz continuam ótimas e a banda empolga mesmo quando tira o pé do acelerador, como em “Identificação”. Belo disco!
[Bruno Ondei - Drops MTV]


 

Escrito por ao_vivo às 07h44
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Marcelo Camelo fala do fim dos Los Hermanos

(Drps MTV)

A gente encontrou Marcelo Camelo, vocalista dos Los Hermanos, durante os ensaios para a gravação do Acústico MTV Sandy e Júnior. O rapaz vai participar tocando e cantando uma música com a dupla.

Claro que não poderíamos deixar de perguntar sobre o fim de sua banda. Ou "recesso por tempo indeterminado", como ele prefere. Leia e ouça abaixo a exclusivíssima entrevista com Camelo.

mtv.com.br - Vocês anunciaram que o Los Hermanos daria “um tempo”. Agora, no próximo final de semana, vão tocar no Rio de Janeiro. Você acha que os fãs estão enxergando isso como um show de despedida definitiva? E será mesmo um show de despedida?

Marcelo Camelo - Não, cara. Definitivo é uma data determinada, né? A gente está num recesso por tempo indeterminado. Acho que cada um vê de um jeito. Pra gente é claro o que é. Mesmo sendo um coisa turva, é claro que é um recesso por tempo indeterminado, sacou? A gente vai voltar quando a gente estiver afim.

O que motivou esse recesso? Interesses diferentes?



É um negócio muito exclusivista você fazer parte de uma banda. Você não tem tempo para fazer outras coisas. Em todos os âmbitos. Você tem pouco tempo inclusive para ter amigos, por exemplo. Por que você está sempre fora e tal.

Você tem pouco tempo para cuidar de qualquer coisa que seja da índole do cultivo. Todas as suas relações são efêmeras. Todos os seus dias, você começa e termina em outro lugar. E isso tem implicações na vida de cada um, de jeitos diferentes.

Isso, somado a essa exclusividade, você só ter tempo para fazer isso... Isso tudo vai se refletindo na vida de cada uma das pessoas da banda de uma forma diferente. Cada pessoa reage a isso de um jeito diferente.

Mas esses problemas não existem numa carreira solo?

Minha intenção agora é descansar mesmo. Tenho trabalhado há dez anos seguidos. A gente está trabalhando sem nenhuma pausa. Um trabalho muito intenso. E aí eu...

Clique e ouça o que fez Marcelo interromper a resposta
Clique e ouça o que fez Marcelo interromper a resposta


Vocês estão deixando um monte de fãs chateados com a separação. Você sente essa responsabilidade nas costas?

Clique e ouça a resposta de Camelo
Clique e ouça a resposta de Camelo


Como fica a relação com os outros membros da banda após esse recesso?

A gente tem um grau de amizade, de intimidade, de querer bem, de ligação mesmo, enorme.

E isso não se abala agora?

Não. De forma nenhuma. Por motivo nenhum do mundo.

Clique e ouça Camelo falando sobre sua família
Clique e ouça Camelo falando sobre sua família

 

Escrito por ao_vivo às 11h39
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Mais um disco e ele continua não se importando com comparações

Acostumado com as contantes comparações por ser filho de César Camargo Mariano e Elis Regina, e irmão da cantora Maria Rita, Pedro Mariano garante que não se incomoda, pois é natural quando se é filho de uma pessoa famosa.

 

Pedro Mariano acaba de lançar o quarto disco de sua carreira após passar cerca de três meses reunindo repertório e mais 20 dias no estúdio.

 

O disco traz composições das parcerias do cantor com outros nomes de peso como Jorge Vercílio, Djavan, Jairzinho Oliveira, Ana Carolina, Guilherme Arantes, Paulinho Moska, entre outros.  “ Não peço nada específico. Deixo o compositor criar, e vejo se a música tem a ver com o meu trabalho. “

 

Além de cantar, Pedro toca bateria em cinco faixas. Tocando sempre com um quarteto ( bateria, baixo, guitarra e piano ), o som de Pedro Mariano circula entre a MPB e o jazz. Ele garante que não está preocupado com possíveis definições para o que ele toca. Quer apenas ser reconhecido pelo seu som, que poderia ser definido algo  como  “meio Pedro Mariano “.

 

Lilian Belloni


 

Escrito por ao_vivo às 06h59
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O Papa é pop

Quem diria que o Papa alemão, com uma face tão séria, que poucosorria, que faz declarações bombasticas fosse tão carismático? Como não ficar admirado com os sorrisos vindos de forma tão espontânea? Como não se encantar com um português tão bem falado, que teve todo cuidado para ser bem entendido (e como Zé Simão falou, melhor que o do Presidente)? como não ficar com os olhos parados ao ver tantas pessoas admiradoas com o carinho manifestado?:

Sim, sou católica, mas todos, independente da crença, sentiram um carinho diferente ao ver que ainda há fé , há esperança, há vontade no coração das pessoas de melhorar.

E os meios de comunicação? Criticados pelo Papa e que também são criticados nas universidades, nos barzinhos, nos trabalhos. Será que os colegas comunicólogos ficaram ofendidos? Será que a importância que essa visita teve perderá o encanto pela critica? Ficarei aguardando os comentários mas, na boa: darei atenção só segunda feira ná que, para mim, as palavras e são mais importantes que qualquer palavra...

Por Milena Muricy


 

Escrito por ao_vivo às 07h17
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O que você faz pela paz?

Era para ser mais um show da 3º edição do projeto cultural da cidade de São Paulo, o VIRADA CULTURAL, promovido pela Prefeitura. Mas a tranqüilidade  mantida em todas as apresentações que estavam ocorrendo simultaneamente, foi substituida por cenas de extrema violência e vandalismo durante o início da apresentação de um dos grupos de rap mais famosos do Brasil na Pça da Sé: os RACIONAIS MC'S, famoso por sua letras de forte apelo contra a polícia.
 
Todos nós vimos estupefatos  as cenas mostradas nos noticiários: algumas pessoas da  platéia subindo em banca de jornal, provocando os policiais, atirando pedras. Com a chegada de reforço da Força Tática e do Batalhão de Choque, houve dispersassão, e alguns grupos depredaram  e saquearam lojas nas ruas - entre elas as Lojas Americanas e o Rei do Mate, oito viaturas da Polícia Militar, uma viatura da Guarda Civil Metropolitana, e dois carros particulares, um incendiado e outro danificado, orelhões e banheiros químicos, além de entrarem  nas instalações da estação Sé do Metrô e depredarem  12 lojas e destruirem  seis bloqueios da estação. Para os que continuaram na pça,
sobrou muita bala de borracha, atiradas pelos policiais.
 
Inutilmente de cima do palco, o vocalista da banda Mano Brown tentava apaziguar os ânimos mais exaltados. Como não surtiu efeito, acabou encerrando a apresentação da banda, que na verdade mal tinha começado.
 
Lamentável, pois quem estragou o que poderia ser um grande show, foi seu próprio público.
 
 
Lilian Belloni

 

Escrito por ao_vivo às 12h15
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“Nada perturba o teu sono pesado, nada levanta aquele corpo jogado...”

Semana passada eu me deparei com uma cena que me deixou chocada, inconformada e, porque não dizer, revoltada: estava eu e mais um amigo meu indo embora da faculdade, por volta das 23:00, estávamos indo ao ponto de ônibus e, como eu não queria esperar sozinha a “condução” já que o ônibus que eu pego passa de meia em meia hora, ele se propôs a esperá-lo comigo.

Quando chegamos ao ponto, haviam três garotinhos, com no máximo ( e sendo muito generosa) 15 anos com caras realmente de ladrãozinho...claro, fiquei um tanto receosa mas, como estava com o Radamés e o ponto tinha mais gente que o normal, fiquei mais tranqüila.

 

Acontece que chegaram alguns policiais e começaram a bater nos moleques, os acusando de furto/ roubo. Mas eles batiam muito, com o cacetete acertavam com muita força o rosto dos meninos que fazia um barulho horrível...nunca fiquei tão assustada com uma cena que, por mais comum que seja, não esperava que acontecesse tão perto de mim.

 

Que fique claro: não estou os defendendo, acho um absurdo esses roubos, passei por um assalto há pouco mais de um mês, apanhei do cara não concordo com os direitos humanos mas não concordo com a forma de abordagem e forma de “acerto de contas” que é feito: com um raciocínio lógico chegaremos a conclusão que, quão pior o trato que se dá aos perturbadores da sociedade pior será a forma que a população será tratada e isso terá reflexo direto nos cidadãos, já que, cientes que apanharão, farão o que quiserem com a população.

 

Não entrarei no mérito do que tem que ser feito, de quem é a culpa, do descaso, nada disso mas será que não falta, além das coisas que são de praxe um pouco mais de humanidade? Não só em relação aos menores mas também com os policiais, que tem que mostrar serviço perto da população que ri como na vitória de um time? Será que não falta acompanhamentos especializados para aqueles que também apanham, que também sofrem ameaças por parte dos adultos que não tiveram a orientação e os cuidados de uma sociedade que tanto se preocupa com aumentos de salários mas não se preocupam com bem estar? Será que não está na hora de rever conceitos e analisar como deixamos as coisas impunes no Brasil?

 

Ainda bem que não havia corpo estendido no chão...mas, como Hebert Vianna já disse, nada atrapalha o bar da esquina, a fila de cinema e nada mais deixa chocado...

 

 

Por Milena Muricy


 

Escrito por ao_vivo às 07h00
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